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  • Lila Mesquita

SUFICIENTE

Atualizado: Abr 26

Escrevi ouvindo: Jim Croce - I got a name


E aí, minhas queridas? Como vocês estão hoje? Acho que essa tem sido a pergunta mais difícil de ser respondida no último ano, né? Tantas coisas acontecendo. Tantas coisas no nosso coração, na nossa cabeça. Como eu falei semana passada “Tá todo mundo meio cagado da cabeça” e aqui, entre a gente, eu falo cagado mesmo!


Os últimos dias foram de muitas alegrias (lancei o podcast!! eu espero que você tenha ouvido, hein??) mas também fui cobrada duramente e isso me deixou bem chateada e claro, automaticamente eu fui parar naquela cadeira confortável da culpa e da insuficiência. Eu não fui suficiente para quem eu amo. Mas naquele momento eu não tinha da onde tirar e eu tive que admitir isso para quem me cobrou e também para mim mesma.


Eu tive que levantar da cadeira da culpa. Escrevi minhas páginas matinais e consegui criar uma espécie de mapa do que aconteceu, do que eu senti, do que a pessoa sentiu.


Qual era o pedido escondido por trás daquele ataque? E isso foi me dando uma terra firme para pisar. Não tirou a tristeza e o lamento por não ter conseguido fazer o que eu fui cobrada (acredite, eu queria ter conseguido) mas me fez entender que essa é uma nova versão minha que até eu mesma estou conhecendo.


Fiz um acordo comigo mesma de que eu não vou entregar mais do que eu posso e quero. Agora, essa escolha é baseada em mim e isso mexe nas estruturas. Quando uma mulher resolve não estar à disposição e cuidar de quem está ao redor dela o tempo todo, as estruturas se movem e esse movimento gera incômodo.


O que é ser suficiente? Suficiente para quem? A que custo? Vivemos tempos duros, a vida e a morte estão exigindo muito da gente. São mais de 2 mil mortos por dia, não sei o quanto a nossa mente está preparada para lidar com essa realidade e mesmo que a gente não tenha perdido ninguém próximo, ninguém que a gente ama, o fantasma tá lá… diariamente… há um ano!


Suficiente para quem? Para você mesma. E eu falo isso do fundo do meu coração… seja suficiente para você mesma. Cuide de você com o mesmo amor que você entrega ao outro. Eu não fui suficiente para essa pessoa porque eu tive que ser por mim e essa escolha não tem nada a ver com egoísmo, mas com preservação. Eu não posso esperar que ela entenda, mas eu desejo profundamente isso. Nós temos que ser livres para sentir e devemos dar a liberdade para outro sentir também, mesmo que isso nos incomode. Bateu, doeu, pega que é seu. Lembra? Aí a gente segue no ciclo… cuidando da gente para cuidar de quem a gente ama.


Eu estou muito feliz com o lançamento do podcast, feliz em editar, escrever, gravar… eu amo fazer isso! E também estou muito chateada com as coisas que têm acontecido. Estou aprendendo na terapia que nem sempre é "OU". Ou triste, ou feliz. Muitas vezes é "E". Estou feliz com algumas coisas e triste com outras. Sentimentos coabitam. Cada um no seu espacinho… cabe à gente que cuidar dessas margens.



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