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  • Lila Mesquita

SENTIR

Atualizado: Abr 26

Leia ouvindo: Emicida - Pequenas alegrias da vida adulta


A verdade é que eu ando cansada dos textões, a impressão que eu tenho é que o sentir virou conteúdo. As crises acontecem mas são facilmente transformadas em exemplos de superação. Mas assim? Tão rápido?


Eu sou contra o cancelamento das pessoas (tá bom, talvez alguns eu até concordo) mas eu fico impressionada com a rapidez que essas pessoas perceberam que fazer um discurso de mea culpa e de “caminho da desconstrução” (estou fazendo muuitas aspas) pode camuflar o impacto do que elas fizeram. E, de repente, essa mesma pessoa, que falou “foda-se a vida” está dando lição de moral e falando sobre “o outro”. O outro, somos nós todas.


Ontem assisti “Amarelo”, documentário do Emicida. Que alívio, que respiro… Essa era a única forma possível de encerrar esse ano. Com esse documentário o Emicida prova que a melhor forma de resistir é através do amor.


Eu tenho pensado muito sobre a importância que a gente dá para a palavra, para as expressões orais. Será que tudo precisa ser falado, o tempo todo?? Onde cabe o sentir? para conseguir ouvir nossa intuição a gente precisa de todos os sentidos.


Como você tem sentido o mundo? Como tem ouvido os sons ao seu redor? Os sabores das comidas, os aromas que passam por você ao longo do dia?

A gente fala tanto de atividades sensoriais para as crianças e acaba esquecendo das nossas experiências diárias.


Minha proposta não é de grandes reflexões sobre essas experiências: O que eu sinto quando como essa fruta ácida? Como esse barulho me afeta...?


Não, nada disso. Tô falando de sentir! A experiência por ela mesma, sabe?? Aquela surpresa ao sentir um cheiro inesperado, a reação divertida de colocar alguma coisa azeda na boca - eu sempre dou risada!


Racionalizar tudo é uma loucura! E eu repito em voz alta porque preciso lembrar disso o tempo todo. Cresci ouvindo da minha mãe que “eu pensava demais”. E em algum ponto a ariana aqui até admite que ela estava certa. Eu realmente penso demais e essa minha característica me leva tanto para lugares de muita conexão, quanto para uma angústia muito grande.


Se eu quero continuar tendo meus sentimentos como guia, eu preciso me deixar sentir.


Amarelo (álbum e documentário) foi feito entre 2019 e 2020, anos agressivos, de lutas e bastas. Me emociona ver o espaço de amor que foi formado para a criação desse trabalho. Me dá esperança e alívio, saber que mesmo com o mundo pegando fogo, ainda existe a possibilidade de um espaço autêntico, amoroso e consciente. Saber que tá foda, mas existe resistência pelo amor pelo sentir.


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