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  • Lila Mesquita

SALVADOR

Atualizado: Abr 26

Escrevi ouvindo: Sampha - Treasure


Apesar de ser uma pessoa um pouco mais reservada, eu tenho a mania de gostar de conversas profundas e, por causa disso, acabo contando sobre meus processos, inseguranças e questões para quem eu sinto que está me ouvindo.


Acontece que, ao me abrir dessa forma, eu também dou a chance da pessoa responder com o que ela bem entender, né? E é aí que o caldo desanda… porque nem sempre quem está prestando atenção na sua fala, está realmente disposto a somente… ouvir.

A nossa tendência diante de um problema apresentado é tentar achar uma solução, comparar com outras situações mais difíceis, mostrar que nem tudo está perdido ou então, em tempos de “auto conhecimento”, fazer uma análise sobre a pessoa, baseado em 10 minutos de conversa. Bode, né?


Eu sempre ouvi “você se abre demais” - teve época da minha vida que eu, inclusive, abri a porta da minha casa para uma pessoa que quando foi embora, deixou uma energia tão estranha que vários objetos quebraram, eu tive dor de barriga e o Tom acordou gritando. E eu JURO que foi real.


Quando cheguei na terapia e contei o que tinha acontecido, minha terapeuta arregalou os olhos e perguntou “Mas por que você chamou essa pessoa pra dentro da sua casa?” E eu não soube responder. Disse que não consegui falar não.


Eu sabia que ela não era uma má pessoa mas era uma pessoa que tinha sido muito magoada e naquele momento ela só tinha a oferecer tristeza. Foda, né? Difícil porque todo mundo passa por momentos de mágoa e ressentimento e, às vezes, o que a gente precisa é ser ouvida. Mas hoje o assunto não é esse.


Hoje, eu quero lembrar pra todas nós, que cuidar da gente significa cuidar da nossa alma, da nossa casa e de tudo que está ao nosso redor. Falar não é importante para manter nosso solo fértil. Deméter e Héstia ensinam a gente a cuidar da nossa terra, da nossa casa, da nossa alma.


Hoje de manhã eu acordei e me prometi que os meu processos cabem à mim e a minha terapeuta. E só! Decidi que não vou mais permitir que me coloquem no lugar de quem está precisando de ajuda quando na verdade, eu não estou.

Sabe quando você encerra uma conversa com uma amiga meio sem entender como que a gente foi parar lá? Quando, de repente, você se vê recebendo conselhos que você não pediu? Uma ajuda não solicitada??


É disso que eu estou falando. Em tempos de Brené Brown (que é maravilhosa, óbvio!) Não deixe que te coloquem num lugar de vulnerabilidade que você não precisa ocupar. Isso faz a gente murchar, ficar confusa sobre nosso caminho e nossas escolhas. E eu estou falando em voz alta e gravando porque essa mensagem é para mim também.


No fim, estamos falando sobre autenticidade.


Apoio não é ajuda e ninguém é salvador de ninguém. Não deixe que tentem ser o seu sem o seu pedido e nem queira ser a salvadora de ninguém.


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