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  • Lila Mesquita

RAIVA

Escrevi ouvindo: Led Zeppelin - Four Sticks


A raiva é um sentimento que precisa fluir. Semana passada eu contei pra vocês que estou passando por uma situação meio complicada. Até ontem eu tentei ser estratégica, ser racional para não tirar conclusões precipitadas só que ao fazer esse movimento, eu não estava olhando para um sentimento que tava lá… pulando, acenando, tentando chamar minha atenção: A RAIVA. Mas ontem… ontem eu olhei direto pra ela e falei: Eu to vendo você e tô contigo nessa. Depois dessa até minha lunação que estava atrasada, veio!


Num extraordinário jogo de cintura minha Atena acendeu o botão de alerta, eu liguei pra minha mãe e falei tudo que estava engasgado na minha garganta há dias. Gritei, xinguei, falei que estava com raiva, que queria deixar meu coração leonino tomar conta de tudo! Fogo nos fascistas e #forabolsonaro. Deixei minha Deméter raivosa rogar praga na humanidade e secar o que tiver para secar. Graças a Deus eu tenho minha mãe que também compartilha esses sentimentos comigo. Só de falar meu coração pula!


O negócio é o seguinte: A gente vive falando que as pessoas não têm o direito de colocar a gente em caixinhas apertadas, né? A gente tá aí, nesse super movimento de se libertar, ser mais autêntica e coerente com nossos desejos e com quem a gente é... Pois bem! O mesmo se aplica aos nossos filhos. Ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de colocar crianças nas caixinhas, rótulos no meio da testa! Criança difícil, criança boazinha, criança bagunceira, criança isso, criança aquilo. Não! Esse é o primeiro movimento que o sistema patriarcal faz para colocar lastro na gente e se a criança for uma menina, então… E isso eu jamais vou aceitar. JAMAIS! Eu estou escrevendo tudo isso como uma forma de validar para mim mesma a minha raiva. Pra o dia que eu começar a duvidar (porque a dúvida sempre volta), eu vou dar um play de novo nesse áudio para expulsar essa dúvida e culpa que podem chegar em mim de novo.

“Acho que eu não entendi quando você falou isso. Você pode me explicar melhor?”.


FAREJE SEMPRE e nunca duvide da sua intuição! Talvez joguem com a sua culpa, talvez tentem meter o papo de sororidade pra cima de você… mas a gente não tem a menor obrigação de ter sororidade com mulheres abusivas que se aproveitam do sistema para te manipular. É exatamente assim que eu tenho me sentido ultimamente, é mais ou menos isso que eu tenho vivido. Mas agora me sinto


mais alerta e confiante sobre o que fazer e também sobre o que não fazer.


Semana passada eu falei sobre minha Ártemis de arco e flecha nas mãos. Essa semana ela esticou um pouco mais a corda do arco e apertou ainda mais os olhos. Eu falei também sobre minha Deméter gigante, comandando tudo. Essa semana ela começou a secar tudo que tá ao redor. Enquanto isso, Atena segue firme, com gestos minimalistas e certeiros, me lembrando que tudo bem sentir raiva, mas ela não vai me dominar e me cegar.


Ufa! Como você tem se sentindo, hein? Bom, essa raiva é inteira minha, quero saber se você tá cuidando da sua e a gente tá aqui… pra farejar, validar e mostrar os dentes sempre que for preciso. Se você acha que esse áudio pode ser útil para outra mulher, é só compartilhar.


Te espero lá no nosso Grupo Sustenta, no meu insta @lila.mesquita e atenção, atenção que semana que vem tem a estreia da segunda temporada do Cheia de Camadas. Um beijo!


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