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  • Lila Mesquita

ENCERRAMENTOS

Atualizado: Abr 26

Escrevi ouvindo: Jimi Hendrix - Are you experienced?


Essa semana a minha terapia girou em torno dos encerramentos. Aconteceu logo depois do feriado de Finados, na mesma terça-feira que eu acordei com a notícia do falecimento do meu tio. Diante da morte olhamos a vida por outra perspectiva. Ficamos mais atentas:

“o que você está fazendo com a sua vida?”


Quando a gente pensa numa vida cíclica, baseada e integrada na natureza, é impossível enxergar morte e vida como dois pólos opostos - onde um lado carrega tudo e o outro carrega o nada, o vazio.


Em vida, temos diariamente a oportunidade de fazer escolhas coerentes com quem somos, com nosso aperfeiçoamento. Oportunidades de manter firme o nosso compromisso com uma vida consciente. Em morte, nossas histórias servem como guias, lembretes de que é possível fazer grandes coisas e ser fiel.


2020 foi o ano das finalizações, dos rompimentos de práticas que já não se sustentavam mais. Toda mudança gera incômodo, estranhamento, medo. Mas também são uma oportunidade para o novo chegar e se estabelecer.


A sensação que eu tenho é que nosso mergulho ficou profundo demais. Quando a gente pensava que não daria para ir mais além, a gente foi. Mas agora tá chegando a hora de voltar pra superfície. Aos poucos... com Perséfone ensina pra gente.


Mais uma vez trago Orfeu encantando todos os seres do submundo com sua harpa. Quando levamos beleza para as sombras, nos tornamos autoras das nossas próprias melodias, nós então atravessamos as sombras com mais consciência.


Mesmo diante de uma situação hostil, de um ambiente tóxico, a nossa melodia representa nossa essência, aquele porto seguro onde atracamos o que há de mais belo dentro da gente.


Essa semana foi mais uma semana difícil para nós, mulheres. Essa semana todas nós levamos mais um tapa de realidade patriarcal. Eu senti raiva, tristeza, vontade de mandar o patriarcado tomar no cu. Pra ser sincera, ainda estou acomodando todos esses sentimentos e desejos. Ainda estou procurando minha arma, opa, HARPA para tocar minha melodia diante de tanta hostilidade.


Penso na alma pequena daqueles homens, na vida pobre, insignificante e sem valor que aqueles homens vivem. Sinto que a luta será eterna enquanto existirmos, mas vamos resistir. E a nossa maior vingança é a nossa liberdade. Liberdade para fazer fotos sensuais, liberdade para sentir raiva, liberdade para dançar em volta da fogueira e fazer nossos rituais, Liberdade de mandar o patriarcado tomar no cu.



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