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  • Lila Mesquita

CAÍDA

Escrevi ouvindo: Erlend Øye & La Comitiva - Altiplano


Andei sumida nos últimos tempos por tantos motivos… motivos sérios, que me paralisaram e que só agora eu estou conseguindo voltar. Eu falo isso não para me justificar (ainda mais porque eu sei como vocês são maravilhosas e, ao longo dos meses, me enviaram muitas mensagens me perguntando quando eu voltaria, se estava tudo bem…)

Tá tudo bem. Agora tá tudo bem!


Eu estou falando tudo isso porque a gente ouve tanto sobre respeitar o nosso tempo, deixar alguns pratinhos caírem e claro, eu acho isso realmente importante. Mas podemos ser sinceras aqui, né? Quando a treta é muito grande, não tem como o processo ser bonitinho. E essa foi uma das coisas mais importantes que eu tive que aceitar e entender nos últimos tempos.


Pensei que estivesse ficando louca, me senti ingrata, pensei que estivesse com depressão… mas no fim não era isso. A real é que eu estava passando por uma fase bem ruim da minha vida e essas cagadas homéricas


(pra não perder as referências, né? hahaha) acontecem mesmo e de novo, dificilmente vai ser bonito.


Eu desconfio das pessoas que dizem elaborar um problema grande em pouco tempo. “5 ou 6 dias fora do Instagram para cuidar da saúde mental” e depois volta como se fosse coach motivacional. 5 lições que aprendi”.

Queria eu que fosse fácil assim. Se você cruzar com alguma fala dessas, não esquece de olhar para os privilégios que cercam essa pessoa, combinado? E ainda assim não há garantias.


Eu lembro que a minha primeira terapeuta falava pra mim, “Camila, só não pode passar do nariz”.

Acho que eu entendi realmente essa frase agora. Quase 10 anos depois, num sonho em que eu me via pequena, meio que caída sentada num lugar com terra, lama… sonho beeem basiquinho, né? Alô, Jung! Me abraça!

Alguns processos são mesmo muito ruins e solitários. Não tem parceiro, amiga ou mãe que dê conta e nessas horas, a única coisa que a gente deve fazer é não deixar passar do nariz. Dar tempo ao tempo, recomeçar aos poucos… um passo pra fora, um passo pra dentro. Se acostumar aos poucos com a luz mais uma vez. E é exatamente isso que eu estou fazendo nos últimos dias.


A iniciativa de um projeto incrível, uma parceria de produção de conteúdo, o convite para participar de uma live. Aos poucos vou reaprendendo a falar sim para o que eu meu coração se sente preparado para aceitar. Usar meus privilégios para cuidar de mim e de quem eu amo e me importo. Por fim… olhar pra trás e ver que eu não estou 100% na luz, mas também já não sou mais aquela menina caída.


Um beijo. É bom estar aqui mais uma vez.



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