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  • Lila Mesquita

BODE

Atualizado: Abr 26

Escrevi lendo: Letrux - Ninguém perguntou por você


Dessa vez eu preferi deixar para gravar o áudio na semana no último minuto. Foi uma semana bem tensa, Brasil bateu mais de 1900 mortes em um dia e eu fiquei na merda. Fiz lá meu desabafo no Instagram (afinal, eu sou uma millenial e é isso que millenials fazem quando estão chateados) e depois tentei voltar para o meu trabalho.


Aliás, venho com exclusividade avisar que o primeiro episódio do meu podcast já está editado e ele finalmente tem um nome! Sim, ele não tinha um nome até agora. Pra quem tem um gato que chama Gato, vocês podem imaginar a minha dificuldade, né? Tom e Flor tiveram sorte!


Essa semana eu tive que lidar com alguns daqueles sentimentos que a gente finge que não tem, sabe? Aqueles… que quando aparecem do nosso lado a gente pensa “nossa, o que ele tá fazendo aqui?”. Pois é… levei pra terapia achando que teria alguma solução prática para racionalizar e saber lidar com eles, mas não. O que aconteceu foi exatamente o oposto.

Eu falei com a minha terapeuta que, se na primeira temporada de terapia (lá em 2011) eu aprendi a não ter medo dos meus sentimentos, nessa temporada atual, eu to aprendendo a caminhar com esses bodes que a gente inevitavelmente vai ter, vai sentir...


Eu falei que sentia raiva, que me sentia injustiçada e muito envergonhada. Chorei e fui irônica, esbravejei... enquanto ela só me ouvia (se você for fazer isso, faça com uma pessoa de MUITA confiança, tá?? Lembra dos últimos áudios, né? Tão tá!).


Bom... e era só isso mesmo que eu podia fazer, né? Quando a possível resolução de um problema não está ao nosso alcance, quando as possibilidades se esgotaram, a única coisa que a gente pode fazer é viver esse sentimento e depois voltar a acomodar ele no lugar que sempre foi dele, pra ele ter o tamanho que ele deve ter.


É tipo herpes, sabe? A gente sente que tá chegando, sabe que vai ser uma merda, de fato é uma merda, a gente passa uma pomadinha pra não ficar pior mas sabe que ele só vai embora quando o ciclo terminar.


É uma merda? É uma merda! Queria arrancar isso do meu peito? ô! muito! Mas não dá… isso te pertence tanto quanto os outros sentimentos. Nos dias seguintes eu fiquei acompanhada por esse bode. Onde eu ia, ele ia comigo…

- O que é isso?

- Nada! Só estou levando meu bode pra passear.


A Flor tá com 2 anos e vocês sabem a treta que é ter dois anos, né? Tudo é feito na base do ódio e da revolta (alô, disciplina positiva! Me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distante de tudo). Quando ela consegue se acalmar e fazer o caminho de volta eu sempre falo pra ela “tá vendo, filha? Você fez tal coisa e conseguiu se acalmar. Viu como você consegue voltar?”.

Eu também consegui… Uma hora eu olhei pro lado e meu bode não estava mais lá. Eu sei que ele tem uma graminha bem verdinha aqui dentro e que hora ou outra ele vai conseguir pular esse cercado… mas agora ele voltou pra lá. Sem grandes esforços, só com paciência e reconhecimento. Mais uma vez, a lição que a Medusa ensina… nem sempre olhar nos olhos é a melhor solução.


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