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  • Lila Mesquita

F-Y

Atualizado: Abr 26

Escrevi ouvindo: Rita Lee - Mania de você


Eu ando muito apaixonada pela Fernanda Young. Sempre fui, mas agora tá diferente, talvez mais um amor mais maduro? hahaha

Acho que agora eu entendo mais a inadequação dela. Se antes eu achava que ela era assim por pura coragem, agora eu entendo que foi sim coragem, mas também foi um recurso para lidar com um mundo que ela não se sentia parte.


Eu desconfio das pessoas que nunca passaram por uma crise existencial, que nunca se questionaram sobre o que estão fazendo aqui, que nunca se sentiram desconectadas do resto do mundo. Sabe porque? Porque somos seres individuais, cheio de particularidades e o descompasso é esperado. Não é possível que não tenha! A vida fica vazia demais sem esse descompasso.

Lembrei agora que essa semana eu ouvi em muitos lugares diferentes a frase “é na crise que a gente cresce” ou algo do tipo. Que a gente precisa do conflito para mudar. Por coincidência ou não, essa semana eu também reli trechos do livro "A Alma Imoral", do Nilton Bonder. Nesse livro, ele fala justamente sobre a importância da traição da tradição, ele fala sobre a importância de transgredir.


Foda é sustentar, né? Até o nosso cérebro fica mandando sinais o tempo todo pra gente continuar no caminho que a gente já conhece… gasta menos energia! Mas aí chega nossa psique e sente o mundo de outra forma, acrescenta camadas a mais nesse viver, tira a gente do sobreviver. E a gente sustenta a transgressão.


Eu criei esse grupo por isso. Pra quando faltar novas conexões internas, a gente encontrar um lugar em que elas existam ou pelo menos o potencial delas. Ao longo desses 5 anos em que eu estou produzindo conteúdo, eu transgredi diversas vezes, paguei um certo preço mas hoje eu sinto que tô no caminho certo.


No Pós-F, a Fernanda Young escreve uma carta para as mulheres sonsas e eu quero encerrar com um trecho desse livro. “Enquanto me exponho em nome da liberdade e, por isso, pago um preço altíssimo, ela se beneficia da minha luta, enquanto assegura aos homens uma entidade de “recatada e do lar”. Eu não teria capacidade para ser sonsa. Não adianta. É como ser puta, amante, submissa, personagens clássicos femininos, não adianta atuar, deve-se, apenas, ser.”


Acho que esse texto também conversa com o que eu estava falando antes: eu não acredito em pessoas que não passam por nenhuma crise existencial. Que vivem a vida de uma forma beeem sonsa.


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