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  • Lila Mesquita

EVA

Atualizado: Abr 26

Escrevi ouvindo: John Mayer - Heartbreak Warfare


No último sábado, o que antecedeu a Páscoa desse ano (e se você está ouvindo do futuro, eu estou falando da Páscoa de 2021), nós tivemos um encontro sobre os símbolos dessa celebração e claro, falamos também sobre a importância do feminino nessa data.

Não tem como falar sobre renascimento e renovação, sem falar do feminino e em algum momento da nossa conversa, entre coelhos, Deusas e baseados (piada interna para quem estava lá). Eu falei sobre um trecho do livro "Mulheres, mitos e Deusas", da autora Martha Robles. Sobre o livro, confesso que esperava um pouco mais, mas uma frase me pegou de jeito.


“Eva é, em síntese, o talento culpado que se arrepende de sua escolha racional (...) Eva está encarnada em cada mulher que pensa. Eva renasce naquela que, por seu talento criador, repete os ciclos da queda, da culpabilidade castigada e da restauração da ordem de uma fecundidade que não pode ser detida”. No livro, ela se refere à Eva como a mulher que buscou o conhecimento e, por isso, pagou o preço. Eva teve a coragem de desvelar o mistério, ela enfrentou a figura da serpente (alô, Freud!) e revelou ao mundo que, na verdade, somos todas compostas de luz e escuridão.


De novo: talento culpado que se arrepende de sua escolha racional. Olha a força que tem essa frase! Quantas vezes já não nos sentimos assim?

Bom, eu sinto semanalmente, sempre que preciso fechar a porta do quarto para trabalhar e deixo meus filhos do lado de fora… mesmo com todas as mudanças e adaptações que eles estão passando nos últimos tempos. E dói, viu?


Nós assustamos porque não há força mais poderosa no mundo do que gerar. E a opção de não gerar se revela ainda mais assustadora. Vocês sabem, né? Que a humanidade está inteiramente nas nossas mãos? Pro Freud, a mulher já nasce castrada, logo, ela já não tem mais nada a perder. Então, minha gente… qual é o medo? Pensar por esse lado pode ser libertador, né?


E se, ao invés de sentir culpa, a gente validasse nosso talento e nossas conquistas? Ao invés de pensar pela falta e ficar buscando algo que a gente nem sabe o que é direito, a gente arriscasse mais no caminho. Não é fácil, tudo veio agora de forma rápida, fazendo algumas conexões. Mas dar voz aos meus pensamentos é arriscar na jornada, né não?


Enquanto eu escrevo, a Flor tá chorando na sala porque queria que eu sentasse com ela para ver desenho. Estar aqui, escrevendo e gravando para o nosso grupo é uma escolha racional, ainda com um tanto de culpa, que vem revelando muitas sombras da dinâmica aqui da minha casa, mas eu sei que é isso que precisa ser feito.


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